10 eventos turísticos gays para você curtir em 2017! Parte 4: Tel Aviv!

Depois de Nova CaledôniaSitges e Eslovênia, o seguinte destino é bem polêmico: Tel Aviv! Mas antes de entrar nas controvérsias, vamos à sugestão da lista dos 10 grandes eventos para o público gay que gosta de viajar e ferver por aí feita pelos meninos do blog Two Bad Tourists.

4 - Parada do Orgulho Gay de Tel Aviv


Grupo de viajantes gays - Foto: Site Outstanding

O pacote oferecido pela agência Outstanding vai de 4 a 12 de junho, reunindo turistas gays do mundo todo que querem curtir a Parada Gay de Tel Aviv e conhecer outros lugares famosos da região, como Jerusalém, o Monte Sião, o Mar Morto, a fortaleza de Massada, o Mar da Galileia, as Colinas de Golã e a cidade de Nazaré. A ferveção em Tel Aviv é o ponto auge do programa, com a Parada Gay na sexta-feira, 9 de junho, e muitas outras festas. O preço não é dos mais baratos, mas levando em conta que inclui 8 noites em hotel, viagens para vários pontos turísticos, algumas refeições, festas, guia local e a companhia de vários gays fervidos de várias partes do mundo, talvez valha a pena, né? ;) Custa entre 2.390 e 4.160 dólares. Você pode se informar melhor sobre as opções e a programação aqui no site deles. E não estão incluídas as passagens aéreas. Fazendo uma rápida cotação São Paulo-Tel Aviv pelo Skyscanner para as datas em questão, o valor é de cerca de 1.200 dólares.

Parada Gay de Tel Aviv - Foto: Arsen Ostrovsky - Site Gay Tel Aviv Guide

Nos últimos anos, Tel Aviv tem sido apontada como um destino super em alta, cosmopolita e gay-friendly bem ali no Oriente Médio. Dizem que é uma cidade vibrante com uma cena cultural movimentada, comida gostosa, vida noturna agitada, arquitetura interessante etc. Tudo isto, de fato, parece bem atrativo... Mas, vamos agora às polêmicas! Pois nem tudo são flores, não é mesmo?

Você já ouviu falar em Pinkwashing?

Literalmente, lavar de rosa. Trata-se de campanhas publicitárias patrocinadas pelo governo israelense que passam para o público internacional a visão de que Israel é um lugar gay-friendly, de forma a promover a percepção pública de Israel como uma democracia moderna, um lugar seguro e protegido para investimentos e um destino turístico com praia e sol. Com essa imagem, o governo desvia a atenção das violações de direitos humanos cometidos contra a população palestina. E mostram somente homens homossexuais em Tel Aviv. Não mencionam as lésbicas, e muito menos os palestinos gays que vivem em Israel. É como se tudo fosse cor de rosa no país. Mas não é bem assim, né?

Protesto do coletivo anarcoqueer Mashpritzot durante a Parada Gay - Foto: Wikipedia - Pinkwashing

"O governo israelense usa os direitos LBGT para esconder a sua postura de apartheid. Tel Aviv não é toda Israel. O restante do país está afundado em homofobia e racismo. Os fundamentalistas judeus são mais radicais que os muçulmanos", afirma Abdallah Rawashda, palestino que teve que buscar asilo em outro país. Para conhecer um pouco mais da história deste rapaz e tentar entender a complexidade da vida LGBT na Palestina e em Israel, aconselho a leitura dessa matéria do Metrópoles, que além de outras coisas, fala sobre alguns direitos civis, como o casamento. "Não existe casamento civil, em Israel, somente cerimônias religiosas. Portanto, casais gays que desejarem casar-se precisam sair do país e validar a união posteriormente, na Justiça. Homossexuais que desejam adotar uma criança também deixam Israel – geralmente recorrem a barrigas de aluguel em países asiáticos ou na América do Sul."

Muita gente que critica o Pinkwashing do governo israelense afirma que se deve fazer um boicote ao governo de Israel, como não viajar como turista ao país. Mas devemos ter em mente que nem toda a população compactua com a visão e as ações do governo. Shai Doitsh, ativista nascido em Tel Aviv, afirma (também no artigo do Metrópoles): "Para quem fala em pinkwashing, o fato de eu estar aqui falando com você é só para disfarçar a ocupação. Uma coisa não tem nada a ver com a outra. O fato de Israel ser bom para os LGBT não quer dizer que não existam problemas. Todos acham que devemos olhar para a nossa vida pelo prisma do conflito. Para mim, é como pedir aos gays dos EUA que parem de lutar pelos seus direitos até que o país saia do Afeganistão." Ou, no caso brasileiro, pedir que nenhum turista estrangeiro venha mais ao Brasil porque temos um presidente golpista. Portanto, visitar Israel pode ser, sim, uma experiência interessante, até mesmo para formar uma opinião própria sobre essa complexa questão.

Bom, e se você é mais a vibe mochileiro e que gosta de viajar por conta própria, aqui no site Gay Tel Aviv Guide você encontra mais informações sobre a cena LGBT da cidade e sobre a Parada do Orgulho Gay, que este ano tem como tema a bissexualidade! E sobre a cidade em geral, você pode conferir o site oficial de turismo. Ah, tem também essa página sobre a Aguda, a associação que representa a comunidade LGBT em Israel.

Cartaz do filme The Bubble - Eytan Fox

E para finalizar, vai uma dica cinematográfica. Recomendo os filmes do diretor gay israelense Eytan Fox. Suas temáticas estão sempre relacionadas aos homossexuais e aos conflitos entre palestinos e israelenses. Alguns deles: Yossi & Jagger, Walk on Water, The Bubble, e Yossi.

Acho que escrevi demais, não é mesmo? Mas o assunto é complexo e merecia! Espero que tenha chegado até aqui! ^.^

E nos próximos posts, novas sugestões! Não perca! ;)

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