12 videoclipes dos anos 90 com referências LGBT+

Nos anos 90, os vídeos musicais estavam cada vez mais consolidados e já eram fundamentais na divulgação de músicas e artistas. No entanto, a temática LGBT+ ainda se dava de forma tímida. A grande exceção foi com a cantora Madonna. Transgressora e polêmica, ela causava com seus vídeos e se tornou ícone de toda uma geração! Mas ela não foi a única a incluir referências da nossa comunidade em seus clipes. Confira quem mais ousou na década de 90, incluindo no Brasil! 

Vogue - Madonna


Logo no início da década, em 1990, temos "Vogue", da diva Madonna, inspirada nas famosas danças dos "balls" da comunidade queer negra e latina de Nova York, como podemos ver no seriado "Pose". Apropriação cultural?! Alguns diriam que sim! Mas, de qualquer forma, a cantora, sempre muito antenada e à frente do seu tempo, levou a dança a outro patamar, fazendo com que ela ficasse mundialmente conhecida. No clipe, em preto e branco, Madonna faz os movimentos típicos do voguing com vários dançarinos, entre eles Jose e Luis Xtravaganza, da House of Extravaganza, que fizeram a coreografia. O vídeo foi um sucesso e ganhou vários prêmios, dando ainda mais visibilidade para a música e contribuindo para que ela se tornasse um dos maiores hits de todos os tempos da cantora! "Strike the pose!"

Being Boring - Pet Shop Boys


Ainda em 1990, o duo britânico Pet Shop Boys nos apresenta um trabalho repleto de homoerotismo: "Being Boring"! O clipe foi dirigido por Bruce Weber, famoso fotógrafo do mundo da moda que ficou muito conhecido por fotografar belos e jovens e atléticos rapazes para campanhas de marcas como Calvin Klein, Abercrombie & Fitch e Ralph Lauren. Logo no início do vídeo, temos um homem torneado saindo de uma piscina, molhadinho e como veio ao mundo, e se divertindo num pula-pula, com muitos closes no seu traseiro... Devido às cenas de nudez masculina, o clipe foi banido da MTV! E uma curiosidade: Luiza Brunet e Olivier Anquier, jovens modelos na época, participaram do clipe!

From This Moment On - Jimmy Somerville


Antes de seguir carreira solo, o cantor escocês Jimmy Somerville fez parte da banda Bronski Beat, conhecida por "Smalltown Boy", música com temática abertamente homossexual, como vimos no post dos clipes dos anos 80. No ano 1990, Jimmy gravou "From This Moment On", de Cole Porter, para o álbum "Red Hot + Blue", destinado a conscientizar e arrecadar fundos para combater o vírus da AIDS. No clipe, as imagens de dois homens que se abraçam e se entrelaçam numa dança são intercaladas com outras que nos remetem a uma relação homoafetida que foi desfeita em consequência da doença. No final, a imagem do Capitólio dos Estados Unidos, dezenas de corpos no chão e a mensagem: "Ele não era gay, então não estava preocupado. Ele nunca foi íntimo de ninguém, então não estava preocupado. Ele não era pobre, então não estava preocupado. Ele não era negro, hispânico ou mulher, então não estava preocupado. Ele não era criança, então não estava preocupado. Ele era apenas um viciado em poder, então não estava preocupado. Ele nunca recebeu uma transfusão de sangue ou tocou em feridas abertas, então não estava preocupado. Ele nunca tocou em ninguém e ninguém nunca o tocou. Ele estava imune."

Do What U Like - Take That


Em 1991, a boy band inglesa Take That lançava "Do What U Like"! O jovenzinho Robbie Williams, o gatinho Gary Barlow e os demais integrantes da banda nos proporcionaram um vídeo bastante peculiar e, para algumas pessoas, bem gay! Entre uma dança coreografada e outra, apareciam todos lambuzados, descamisados e interagindo entre si... Tudo isso ao som de "do what you like, do what you want, no need to ask me, no need to tell me" ["faça o que você gostar, faça o que você quiser, não precisa me perguntar, não precisa me dizer"]. É ou não é homoerótico?!

Erotica - Madonna


Extremamente icônica por seus trabalhos ousados e provocativos, Madonna, sem dúvida, marcou muito os jovens gays dos anos 90 por sempre ter apoiado e dado visibilidade à nossa comunidade. Em 1992, ela lançava "Erotica", que exal(T)a sensualidade e sexualidade. Uma ode à liberdade sexual. O clipe apresenta Madonna vestida como uma dominatrix mascarada, intercalada com imagens da produção do seu livro fotográfico "Sex" e participações especiais de algumas celebridades, como Naomi Campbell e Isabella Rossellini, que trocam beijos com a cantora. Altamente polêmico, o vídeo foi transmitido apenas três vezes pela MTV, sempre depois das 22h, antes de ser completamente banido. "Erotic, erotic, put your hands all over my body..." 

Ziggy (Un Garçon Pas Comme les Autres) - Céline Dion


Já ouviu a diva Céline Dion cantando em francês, sua língua materna?! Natural da província de Québec, região francófona do Canadá, ela lançou em 1993 a canção "Ziggy", sobre um rapaz que não era como os outros! Assim como a letra, o videoclipe retrata uma mulher apaixonada por um gay. Entre uma imagem e outra de uma Céline melancólica e solitária, vemos o atraente rapaz se divertindo com seus brothers, no pebolim, no vestiário e praticando futebol americano... No final, Ziggy vai na direção de outro rapaz, para abraçar e beijá-lo, mas quando este retira o capuz... Voilà!  

I Kissed A Girl - Jill Sobule


Katy Perry? Não, Jill Sobule! Em 1995, esta cantora estadunidense pouco conhecida no Brasil lançava esta canção, que também se tornou um hit. E, para a época, o clipe foi bem mais ousado que o da música homônima de Katy Perry. Duas vizinhas, donas de casa típicas dos anos 50 com seus maridos, começam a se paquerar e frequentar a casa uma da outra e se envolver mais intimamente, se é que você me entende... "I kissed a girl, won't change the world, but I'm so glad I kissed a girl..." [Beijei uma garota, não vai mudar o mundo, mas estou feliz que beijei uma garota...]

Same Thing In Reverse - Boy George


Sabe "Born This Way" da Lady Gaga? Uma música que é considerada um hino gay pela sua letra que fala sobre aceitação e respeito? Pois então, bem antes disso, uma canção similar abordava basicamente as mesmas questões: "Same Thing In Reverse", do Boy George, icônico e excêntrico cantor britânico, um dos primeiros a assumir publicamente sua homossexualidade, ainda nos anos 80. "Seu irmão não entende como você pode amar outro homem e o coitado do seu pai acha que fomos amaldiçoados. É a mesma coisa, só que ao contrário, nem melhor, nem pior, a mesma coisa, só que ao contrário", diz a letra... No clipe, de 1995, o cantor com seu visual andrôgino aparece ao lado de drags, pocs e outras pessoas queer. "I don't have to feel no shame, In God's image I am made" ["Não tenho que sentir vergonha, fui feito à imagem de Deus"].

Strani Amori - Renato Russo


No Brasil, o primeiro clipe a fazer alguma referência à nossa comunidade, ainda que de forma bastante tímida, foi "Strani Amori", de Renato Russo, lançado em 1996. Em algumas cenas do vídeo, todo em preto e branco, aparece um casal de mulheres, embora de forma não muito explícita. Além disso, em outras cenas, observamos alguns rapazes juntos, que poderiam ser gays, mas também poderiam não ser... Vai da imaginação de quem assiste ao clipe. E para quem não sabe, "Strani Amori" ("Estranhos Amores", em português), é uma regravação da música de Laura Pausini, até então desconhecida no nosso país, e faz parte do álbum "Equilíbrio Distante", só de canções em italiano. 

Enamorada - Paulina Rubio 


Diva latina, a mexicana Paulina Rubio lançou o vídeo da música "Enamorada" no início de 1997. Como a letra é sobre uma mulher apaixonada que se sente traída, enganada e desiludida, o clipe explora a narrativa de uma mulher cujo namorado a deixou para ficar com outro homem, mostrando imagens do novo casal passeando pelas ruas de Nova York. Entre uma cena e outra, os dois aparecem abraçados e de mãos dadas e vemos também a bandeira LGBT. Pioneira, Paulina quebrou tabus na América Latina ao falar abertamente sobre homossexualidade.

Obrigado Não - Rita Lee 


Em 1997, Rita Lee, a rainha do rock nacional, arrasava com "Obrigado Não", tanto com a própria letra da música, quanto com o clipe, que começa com um belo beijo entre dois militares! Beijo gay, aborto, drogas, ditadura militar, violência policial... Tinha todos os ingredientes para gerar polêmica, mas como não havia redes sociais naquela época, não teve grandes problemas. Curiosamente, o vídeo foi exibido no Fantástico, mas foi censurado pela MTV! A emissora musical, aliás, apesar de parecer moderninha, vivia censurando clipes e até hoje ainda toma algumas atitudes inadequadas... Mas parabéns à Dona Rita pela coragem e ousadia! "Legalize o que não é crime, recrimine a falta de educação..."

All Is Full Of Love - Björk 


Em 1999, Björk lançava "All Is Full Of Love". Segundo a cantora islandesa, a música, em essência, é sobre acreditar no amor. "Você receberá amor, você tem que confiar nisso, talvez não receba das fontes nas quais depositou o seu, talvez não das direções para as quais está olhando, gire a sua cabeça, está tudo ao seu redor", diz a letra. O clipe começa com uma Björk robótica em uma plataforma de montagem. Então aparece outro robô idêntico e ambos começam a se beijar apaixonadamente e trocar carícias. Há, nas entrelinhas, uma sugestão de que o amor está presente tanto nas relações robóticas, quanto entre seres "iguais", ultrapassando gêneros e binarismos... O trabalho ganhou diversos prêmios e é considerado um dos melhores videoclipes de todos os tempos! Mas, pasmem, também sofreu censura e tem classificação etária no YouTube! A moral e os bons costumes condenam até o amor entre robôs! Mas seguiremos cheios de amor, apesar dos pesares, encontrando nossas linhas de fuga!

Por Tiago Elídio...


PS2: E nos anos 2000?! Quais clipes você se lembra?! Conta aqui nos comentários! ;)

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